24/12 - 23:45 Gosto do Natal do jeito das crianças: encantado! O Natal traz felicidade Adília Belotti
Gosto de mover-me pelo ano através de dias impregnados de significados e gosto quando afinal chegam ESSES dias, que contam a mais velha das histórias: era uma vez uma mulher, um homem e um mistério. Era uma vez uma criança tão desejada que sua chegada iluminou o céu. Era uma vez um bebê que antecipava um sonho de todos. Era uma vez...e era agora!
Gosto dos símbolos do Natal, das cores, das luzes, gosto da figura redonda de um Papai Noel sempre benevolente, gosto das árvores enfeitadas, gosto dos olhos das pessoas olhando as árvores acesas. E gosto, sim, assumidamente, do lado generoso do consumo, presentear, ainda que pareça coisa automática, excessiva, é sempre mover-se amorosamente na direção do outro. E ensina o próximo passo: compartilhar.
Gosto de andar pela rua distribuindo "Um Feliz Natal!" e acolhendo sorrisos. E nem me importa a correria, o mau-humor, porque ao menos nestes dias tanto afeto é permitido... Por que não aproveitar? Dar para quem conseguir receber...
Gosto do Natal sem nomes, casa aberta para todos, hora de abrir janelas, deixar a luz entrar, ousar uma dança, dar a mão, convidar...
Gosto das memórias e das lembranças do Natal, das histórias, dos filmes, das músicas, de certa forma improvisada e alegre, elas nos tornam guardiães de um tesouro comungado.
Mas o que torna o Natal, seja ele pintado de qualquer cor que for, a época mais extraordinária do ano é seu lado mais sombrio: e se esse ano o Natal não acontecer?
Nossos ancestrais conheciam esse medo. Sabiam que a luz, o bem, o amor, a paz têm que ser cavados nas fossas da noite. E que é apenas com esforço imenso de cada um e de todos que esse parto é possível.
Por isso, é sempre com receio que eu vejo o dia 24 ir sumindo dentro da noite: e se o Natal não chegar esta noite? E se não conseguir passar pelas fronteiras do sofrimento, da miséria, da loucura, do egoísmo, da falta de cuidado, do desinteresse, do descaso?
E corro ajudá-lo a nascer, acendendo as luzes, levantando um brinde à vida, aquecendo-me no calor do outro, esquecendo as mágoas, pensando maior e afirmando minha crença na possibilidade muito concreta e real de um amor tão grande que faça o céu brilhar de novo...e o dia nascer em paz!